Apenas o silêncio ensurdecedor da ausência do discernimento.
Chega a batalha final que anuncia a vitória da luz sobre as trevas.
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O frenesim da vida atira-nos dum lado para o outro... uns vão... outros vêm... de onde?... para onde?... quem somos?... o que fazemos aqui?... quem sabe o momento congelado na imagem nos revele os nossos segredos...

Quando o calor do começo de tarde sufoca, impedindo a saída à rua, e nem o ar da beira-mar ajuda a refrescar... só restava a defesa da penumbra numa sesta em Portofino...
Estava a toa na vida, o meu amor me chamou... Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor... A minha gente sofrida, despediu-se da dor... Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor...
O homem sério que contava dinheiro, parou... O faroleiro que contava vantagens, parou... A namorada que contava as estrelas,... Parou para ver, ouvir e dar passagem...
A moça triste que vivia calada, sorriu... A rosa triste que vivia fechada, se abriu... A meninada toda se asanhou... Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor...
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou... Qu'inda era moço pra sair no terraço e dançou... A moça feia debruçou na janela... Pensando que a banda tocava pra ela...
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu... A lua cheia que vivia escondida, surgiu... Minha cidade toda se enfeitou... Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor...
Mas para meu desencanto, o que era doce acabou... Tudo tomou seu lugar, depois que a banda passou... E cada qual no seu canto, em cada canto uma dor...
(Chico Buarque de Holanda)

Se os os demónios das profundezas inesperadamente encrespam as águas... e em terra as mulheres, à sombra da cruz, não conseguem aplacar a irritação demoníaca com as suas preces... só resta aos velhos lobos do mar olhar para a frente, enfrentar as vagas e invocar ajuda... da ponta... do corno...
O turbilhão do dia a dia vai-nos arrastando para um universo particular e individualista... onde cada um fica reduzido a si próprio... confortado pelos sons dum qualquer MP3...

Zhummm... zhummm... zhummm... rompendo o silêncio do entardecer o aço das pás vai retalhando ciclicamente o ar, em quantidades certas e ritmadas... os moinhos de vento... esses... mantêm a sua imponência... aguardando serenamente a chegada de um Quixote dos novos tempos...

A roleta da vida rodou implacável... determinante... eu aqui, tu aí e ele naquela imensidão oriental... mais um entre mil milhões, lutando pela sobrevivência...
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